foder por gosto não cansa

Wednesday, June 15, 2005

A foda de caridade

Quantas de nos já não foderam por pena? Muitas. Ou pelo menos eu sim, e o resto que se foda.

Estava um gajo esparramado à beira da rua, meio roto meio vesgo, a ressacar de heroína e a tresandar a vómito que nem um porco constipado. E pensei para mim própria “Bem, este tem mesmo ar de quem já não molha o pincel há anos”.
E do meu ponto de vista, mais útil que uma moedinha ou que uma palavra amiga, é uma queca bem mandada. Se o gajo é um badalhoco de merda e vai morrer de qualquer maneira, mais vale dar-lhe uma ultima boa martelada.

Então lá levei o Zé-merdas para casa, e não é que aquela pichota ainda funcionava? Tanto funcionava que ás tantas distrai-me, fodi fodi fodi. Fodi como se não houvesse amanhã, ou se houvesse, o amanhã era um dia que consistia em eu a foder.
E quando olhei para baixo o gajo já lá não estava. Ou melhor estava, mas morto.

Nisto entrei em pânico, e pus-me a correr nua às voltas pela casa, com os braços ora no ar ora na cabeça. As minhas maminhas abanavam-se todas, arrependidas e chorosas. “Ai fodilhona, pensei eu, o que é que tu foste fazer! E não é que mataste mesmo o homem!”

Depois reconfortei-me. Olhei para o cadáver, um sorriso quase que infantil iluminava o seu rosto. E de facto é verdade. Há melhor maneira de morrer, do que morrer a foder?

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